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A importância da musculação

Escrito por Jason Dias Silva on . Postado em Saúde

Quais são os princípios da musculação e seus objetivos?
Os princípios da musculação são os mesmos do treinamento: volume e intensidade. O volume, no caso da musculação, é representado pela carga, na forma de peso e a intensidade, pelo número de versões e intervalos entre as séries e a velocidade em que é feito o esforço. A musculação é usada para aumento da força e do volume dos músculos e também para estética corpórea, no caso, com controle de peso.
A musculação é indicada para todas as idades? Há alguma restrição?
A musculação pode ser praticada por qualquer pessoa, em qualquer idade. Algumas restrições são para crianças, mesmo porque não faz sentido para uma criança fazer musculação, apesar de ela poder ganhar força e volume muscular. O ideal é esperar um amadurecimento razoável do corpo, a partir dos 14 anos, para depois ingressar num programa de treinamento. Não faz sentido colocar uma criança de 10 anos para fazer exercício resistido. Já os idosos devem fazer musculação, porque há uma série de estudos que falam sobre o fortalecimento do esqueleto, que poderá evitar problemas no caso de quedas.
“As lesões ocorrem em casos de imprudências muito grandes e falta de acompanhamento profissional, mas o treinamento programado e correto não provoca lesões”
Houve um tempo em que as pessoas condenaram a musculação, apontando-a como causadora de dores e lesões. Por que esse panorama mudou?
As lesões ocorrem em pessoas que praticam o exercício resistido com alta intensidade, muito peso e muitas horas diárias e ainda o associam a outra atividade, como futebol e vôlei. O efeito disso é que você soma treinamento o tempo todo e o corpo tem pouco tempo para se recuperar desse efeito cumulativo. Na musculação em si não tem como acontecerem lesões, porque os movimentos são lentos e controlados, mesmo com sobrecarga. A única maneira de uma pessoa lesar-se com a musculação seria por meio de exercício com muito peso e muita velocidade ao mesmo tempo. As lesões ocorrem em casos de imprudências muito grandes e falta de acompanhamento profissional. Mas, o treinamento programado e correto não provoca lesões.
No Congresso Brasileiro de Musculação você vai proferir palestra sobre musculação para gestantes. No que ela difere da musculação tradicional?
Hoje, quando se fala da prescrição de exercícios resistidos, valorizamos exercícios mais básicos, que usam grandes grupos musculares, para a pessoa ganhar força e resistência para exercer suas atividades diárias. Ocorre que, para fazer esses exercícios, apesar de serem básicos, o desgaste físico é um pouco aumentado. No caso da gestante, em vez dessas atividades, prescrevemos exercícios que tentam isolar um pouco os músculos, para não dar desgastes tão grandes. Outra diferença é que, normalmente, o treinamento para não-grávidas é progressivo. Para gestantes, não faz sentido progredir no treinamento. Nós o conduzimos como atividade física. Para as sedentárias, são fundamentais a prática de atividades mais brandas e o acompanhamento médico. A atividade física não é recomendada em gravidez de alto risco.
“Especificamente na musculação, o pessoal vai à academia não para treinar a força, resistência, autonomia do músculo, fortalecimento do corpo, mas por questões meramente estéticas”
No caso das gestantes, o mais adequado não seria a hidroginástica, embora algumas pessoas alertem para o risco da contaminação da água?
Há uma série de vantagens na hidroginástica: o corpo fica numa posição muito confortável, a água é um ambiente confortável e há possibilidade muito grande de fazer trabalho com grandes grupos musculares. No entanto, pode surgir um problema se a água for muito aquecida, pois aumentará a quantidade de sangue na periferia do corpo, reduzindo a quantidade de sangue para o útero. Há indícios de sofrimento fetal na literatura diante da falta de sangue oxigenado. Algumas pessoas sugerem o risco de contaminação na água, mas isso não é verdadeiro. Na gravidez, o corpo da mulher passa por uma série de transformações, o sistema imunológico sofre algumas alterações, mas não o suficiente para uma aula de hidroginástica apresentar risco de contaminação para o feto e para a mãe.
Muitos especialistas condenam a prática excessiva de exercícios e o que se vê no Brasil são muitos jovens, especialmente do sexo masculino, com hipertrofia geralmente nos membros superiores. Qual é o problema? É a exacerbação do culto ao corpo ou o crescimento do número de maus profissionais de educação física?
Pelo contrário. Atualmente, existem excelentes profissionais de educação física no mercado. Infelizmente, há profissionais ruins em todas as áreas. No Brasil, a percepção do exercício pelos profissionais aumentou demais nos últimos anos. Os especialistas percebem a magnitude do exercício e toda sua interferência no corpo do praticante. Não tenho dúvida de que as edições anteriores do Congresso Brasileiro de Musculação influenciaram muito no conhecimento desses profissionais. O problema é que, especificamente na musculação, o pessoal vai à academia não para treinar a força, resistência, autonomia do músculo, o fortalecimento do corpo, mas por questões estéticas. E isso gera a perda de referencial. A pessoa não olha o físico como um todo, em termos de qualidade de vida, mas detalhes nos braços, no abdômen. A falta de referencial gera as monstruosidades que a gente vê por aí. Algumas pessoas aplicam substâncias oleosas no interior dos músculos, o que pode gerar necrose e perda de tecido. Em alguns casos, é necessário cirurgia.
Por que o exercício da profissão ainda é tão mal fiscalizado pelos conselhos federal e regionais de educação física? Não deveria ser proibida a inclusão de instrutores ou estudantes de educação física nas academias?
Na verdade, tanto o conselho federal quanto o conselho regional de Educação Física de Minas Gerais (Cref-MG) estão fazendo o que atualmente é possível ser feito. Se fizermos uma busca histórica, veremos que todos os conselhos de medicina, fisioterapia quando foram criados, tiveram os mesmos problemas. Acho interessante o que o conselho faz e é o que pode ser feito, por enquanto. O tempo melhora as coisas. Os clientes e alunos vão começar a perceber a diferença entre um profissional e um curandeiro.
Quais são as áreas do corpo mais lesionadas em decorrência da prática de musculação inadequada? O que fazer nessas situações?
Normalmente são os joelhos, os ombros e a região lombar, especificamente a quarta e quinta vértebras. Mas isso ocorre com a musculação inadequada, sem observar os critérios necessários. Houve avanço tecnológico na ergonomia das salas de musculação, por isso não se fala muito em lesões. No entanto, muitas vezes, as academias não fazem uma boa avaliação e uma boa anamnese dos alunos. Não se conhece a rotina das pessoas, o que pode provocar problemas para os alunos. Por exemplo: se o aluno trabalha com digitação, não poderá fazer muitos exercícios para os ombros. É preciso ter uma percepção muito grande dos alunos. Eles têm de ser pensados como pessoas que vão fazer atividades físicas sem tendinite e processos inflamatórios ao longo de toda a vida.
O que você acha dos modismos? Antigamente, a ginástica aeróbica de alto impacto esteve no auge, mas foi condenada devido ao grande número de lesões. Depois veio a onda do método body systems e agora estamos na era do pilates. Há um exercício universal, que resiste a essas tendências?
Os modismos têm de ser enxergados como divulgação das academias para atrair clientes. Não têm nada de errado. Alguns são resultados de estudos, outros são adaptações de métodos de treinamentos para não-atletas, como o step, da década de 80. Os exercícios aeróbicos, no geral, as caminhadas e corridas e os exercícios resistidos, como a musculação, nunca serão superados. A musculação sempre existiu. Os gladiadores treinavam com espadas mais pesadas para, quando usassem espada de peso normal, tivessem autonomia muscular aumentada. Isso era treinamento resistido. O anatomista Galeno foi um dos primeiros a prescrever exercícios dessa natureza. O pilates, na verdade, é uma atividade física que algumas vezes adquire caráter de exercício físico, mas é um método que desenvolve alguns níveis de força e trabalha bastante a postura das pessoas, o que é diferente de um trabalho de fortalecimento exclusivo, feito dentro de uma sala de musculação. Os modismos são importantes, mas as pessoas têm de saber usar isso para promover a atividade física e não tentar criar superatletas dentro das academias porque isso, na verdade, resulta em poucos benefícios em termos gerais.

(Ellen Cristie/Estado de Minas)

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Jason Dias Silva

Vegetariano desde dezembro de 1986 e partidário da filosofia de ahimsa, (não violência), com uma trajetória de vida monástica disciplinar durante 12 anos entre os anos de 1988 a 2000.

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