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Abelha Uruçú (MELIPONA SCUTELLARIS )

Escrito por Jason Dias Silva on . Postado em Curiosidades

A abelha uruçu do litoral baiano e nordestino se destaca de outras abelhas da região pelo seu porte avantajado (é do tamanho de Apis mellifera ou maior), pela grande produção de mel e pela facilidade de manejo, atividade que já era desenvolvida pelos povos nativos antes da chegada dos colonizadores. Baseado nesses conhecimentos, vários pesquisadores e meliponicultores dessa abelha têm se dedicado com êxito, ao trabalho de extensão e manejo, incentivando populações rurais, assentados e curiosos na criação de abelhas nativas com caixas e métodos de divisão simples.

Os méis, que podem ser comercializados em litros, são mais líquidos que os de Apis. São usados como remédio, renda extra ou mesmo um alimento melhor para essas famílias. Nos trabalhos mais criteriosos, os criadores das abelhas são incentivados a retirar o mel com bomba sugadora, o que diminui o manuseio, o desperdício de mel no fundo das caixas e evita a morte de ovos e larvas quando não se inclina a colméia para escorrer o mel.

O mel dessas abelhas, além de muito saboroso, pode ser produzido até 10 litros/ano/colônia em épocas favoráveis, embora a média seja de 2,5-3 litros/ano. É considerado medicinal principalmente pelas populações regionais. Segundo Mariano-Filho (citado por Nogueira Neto 1970) o mel dessa abelha é altamente balsâmico e infinitamente mais rico em princípios aromáticos do que o mel de Apis mellifera). Estudos feitos em laboratório confirmaram os seu poder antibacteriano (Cortopassi-Laurino & Gelli 1991 e Martins et al 1997). Devido ao alto teor de água, eles devem ser armazenados em geladeira ou freezer quando não forem consumidos imediatamente.

A análise da composição de mel de uruçu no município de Pirpirituba (PB) foi realizada coletando o mel com seringas de três potes fechados de dentro dos ninhos instalados em caixas de madeira. Com auxílio de refratômetro, foi analisado o teor de água desses méis. Os méis apresentaram porcentagem de água provavelmente influenciada pelas condições ambientais. Nos meses secos de out/98-jan/99, os méis (número de amostras=20) eram mais líquidos, com teores de água variando de 27-29,7%, sendo que encontramos também potes fechados com 92%, sugerindo que as abelhas armazenam esse líquido. Ao contrário, nos meses mais úmidos, de 2/99-6/99, os méis (número de amostras = 21) continham menores teores de água, variando de 25-26,3% (Cortopassi-Laurino & Aquino 2000).

 

Aspecto geral de uma abelha uruçu. Como ela não ferroa, é possível segura-la com os dedos.

 

Uruçu é uma palavra que vem do tupi “eiru’su”, que nessa língua indígena significa “abelha grande”.

O nome “uruçu” está relacionado com diversas abelhas do mesmo gênero, encontradas não só no Nordeste, mas também na região amazônica. A tendência, porém, é a de reservar o termo “uruçu” para a abelha da zona da mata do litoral baiano e nordestino, que se destaca pelo tamanho avantajado (semelhante à Apis), pela produção de mel expressiva entre os meliponíneos e pela facilidade do manejo.

Estudos realizados em Pernambuco (Almeida 1974) mostraram o relacionamento da uruçu com a mata úmida, que apresenta as condições ideais para as abelhas construírem seus ninhOs, além de encontrarem, em árvores de grande porte, espécies com floradas muito abundantes que são seus principais recursos tróficos e locais de nidificação.

Na região de Taquaritinga (PE), no Morro das Vertentes a 1100m de altura as abelhas uruçus são nativas e criadas racionalmente.

O Dr. Paulo Nogueira Neto (1970) comenta: “Há referências (Moure & Kerr 1950) de ocorrência da uruçu em localidades bem no interior da Bahia e Pernambuco. Lamartine (1962) fez um estudo sobre a distribição dessa espécie, mostrando que ela habita a região úmida do Nordeste. O Dr. Antonio Franco Filho, de Sergipe (inf. pessoal) afirmou que essa abelha não vive na caatinga. Ao que sei, na Natureza, a referida espécie reside somente em ocos de árvores.”

 

A atividade externa da abelha Uruçu 
(Melipona scutellaris, Latreille 1811) 
(Apidae, Meliponinae)

 Abelha Uruçú Abelha Uruçú Ninho Abelha Uruçú Ninho Rainha

O movimento externo de uma colônia de uruçu instalada em São Simão-SP, e algumas coletas do néctar regurgitado das abelhas que retornavam do campo para a colméia foram observados.

As observações sobre o movimento externo começaram com os primeiros raios de luz, quando já havia intensa coleta de pólen (19,8ºC, 91%, 6:07h). Após as 11:25h (26ºC e 70%) essa atividade específica cessou totalmente, mas as atividades de vôo prolongaram-se até 18:15h (24,5ºC e 75%), ainda com alguma penumbra.

As atividades externas dessa mesma espécie de abelha, no mês de outubro/93 pesquisadas por Barros (1994), ocorreram desde as 5:00h da manhã em Jaboticabal-SP e também indicaram pico de atividade polínica, entre 19-21ºC e entre 59-61% de umidade às 7:00h. Os dados de temperatura coincidem com os nossos resultados enquanto que os de umidade estão muito aquém dos obtidos nas nossas observações.

Roubik & Buchmann (1984) verificaram que quatro espécies de Melipona da floresta tropical do Panamá também têm pico de coleta de pólen no início da manhã, ou seja, entre 6-9 horas.

Fonte :http://criacaodeanimais.blogspot.com.br/2008/11/abelha-uruu.html

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Jason Dias Silva

Vegetariano desde dezembro de 1986 e partidário da filosofia de ahimsa, (não violência), com uma trajetória de vida monástica disciplinar durante 12 anos entre os anos de 1988 a 2000.

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