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Maratona Ciclistica 7 Dias Verdes Segunda Edição 2/9 de Agosto de 2015

Escrito por Jason Dias Silva on . Postado em Ciclismo

Noite do dia 01/08/2015.

Desde cedo deixei tudo pronto e me preparava para dormir, já que pretendia despertar as 2:30h,tomar banho, fazer um leve desjejum e pegar a estrada no primeiro dia do desafio ciclistico 7 Dias Verdes.
Normalmente não sou acometido por ansiedade ou perda do sono, mas nessa noite, justamente, aconteceu. Quase não dormi e, à 1:30h da manhã, me levantei, tomei um bom banho, fiz uma pequena refeição e peguei a estrada em direção a Salvador pela RJ-104. Procurei evitar a BR-101 e passar pelo trecho que compreende os municipios de São Gonçalo,Tribobó e Alcântara.
Segui pela rodovia estadual RJ-104 até seu término em Itaborai, praticamente sem trafégo. No entanto, o asfalto em péssimas condições me custou uma avaria na roda dianteira. Sem perceber, pedalei quase 200km com a roda pegando. Tive que folgar completamente o freio dianteiro. Retomei a BR-101 e segui com pouca visibilidade e um chacoalhar incomodativo vindo da roda dianteira.
Amanheceu o dia entre Rio Bonito e Tanguá e mantinha uma velocidade media boa, mas o peso que levava nas costas começou a incomodar, então tive de amarrar a mochila junto ao guidão, com alguns itens de nutrição e gel repositor.
O destino do dia era Campos dos Goytacazes-RJ, mas antes me deparei com obras de duplicação da BR-101, cuja grande parte do trecho estava sem acostamento, o que me fazia ter bem próximo a mim a companhia dos gigantes da estrada (carretas). Para dificultar, praticamente todos os pontos de apoio às margens da rodovia foram removidos para duplicação da mesma, o que me fez pedalar por cerca de 100 km sem encontrar locais adequados para um lanche e reposição de agua.
Pude, no entanto, contar com a amabilidade e cortesia dos funcionários da AUTOPISTAS FLUMINENSE, concessionária que administra a rodovia BR-101 Norte.
Por volta das 19:00h, após pedalar 264km, cheguei a Campos dos Goytacazes e comecei a procurar o hotel ideal para minha estadia: tinha de ter WI-FI e quarto com ventilador, para secar a roupa, sempre lavada todas as noites, após o uso.
Encontrado o hotel, agora era só me acomodar, descansar e acordar um pouco mais tarde (horário comercial), para localizar alguma oficina de bike que pudesse consertar ou trocar a roda dianteira danificada.

Segundo dia da expedição 7  Dias Verdes 03/08/2015

Sentado à porta do hotel esperando o inicio do horário comercial, eis que aparece uma pessoa gentil e conversadeira que me revonheceu como ciclista e também se identificou. Batemos um papo rápido, e fui levado à oficina Zé bikes,  no centro de Campos dos Goytacazes. Fui gentilmente recebido, apesar do grande fluxo da loja. Pediram para que eu retornasse no começo da tarde para retirar a roda e assim, por volta das 14:00h, além de  retirar a roda dianteira (agora reparada), tratei de criar uma peça suplementar para apoiar a bolsa do guidão que, com a vibração da estrada, folgava e tocava na roda.
Feito tudo isso, procurei descansar cedo e partir na madrugada do dia seguinte. Estava a 80km da divisa de estados RJ/ES, mas decidi não seguir viagem naquele dia, porque não encontraria cidade naquela rota para pernoitar.

Segundo dia da viagem  04/08/2015

Acordei por voltas das 2:00h e me preparei para partir rumo ao Espirito Santo. Encarei uma madrugada muito fria e com muita neblina até o amanhecer. Cheguei na divisa de às 8:45h, então pude fazer uma pausa pro café da manhã e seguir viagem, entrando oficialmente no Espírito Santo. Ali também começavam as serras, e assim foi durante todo o dia , o que causou um significativo incômodo, também pelo peso que carregava e provisões (repositores  em GEL) para a maratona ciclistica de 7 dias seguidos. Além disso, a bicicleta estava bastante instáveis nas descidas velozes e também nas subidas longas.
Foi então tomei uma decisão RADICAL. Por volta das 16:00h, em Iconha-ES, despachei 80% da minha equipagem pelo correio, ficando quase que literalmente com a roupa do corpo.
Me sentindo mais leve, pude aumentar o ritmo até chegar em Viana,  mais ou menos às 19:00, depois de percorridos 226km.

Tereceiro dia da viagem 05/08/2015

Mais uma vez parti na madrugada, às 05:00h. Já  me preparava para encarar as montanhas do Espírito Santo, na região metropolitana de Vitória, passando Cariacica, Vitória e Serra, quando furou o pneu pela primeira vez.
Fiz a troca rápida da câmara e seguia viagem quando decidi comprar um kit reparo, já que o meu havia sido despachado no dia anterior.
Esse dia foi duro, e já sentia o efeito das poucas horas diárias de sono e das várias horas de pedaladas na estrada. Com um ritmo mais lento e enfrentando montanhas, cheguei em Linhares às 19:00h, após ter percorrido 160km.  Demorei até encontrar hotel, jantar e me acomodar. Vale lembrae que, uma vez que fosse para o quarto e tomasse banho, pois só tinha a roupa do corpo, que era lavada todas as noites e colocada para secar com a ação direta do ventilador.

Quarto dia da viagem 06/08/2015

Saí de Linhares pontualmente às 4:00h e segui com destino ao sul da Bahia. Mais uma madrugada gelada. Em Zooretama, tomei café da manhã e pude bater um papo com caminhoneiros, na tentativa de obter informações preciosas quanto ao estado da estrada e seu acostamento.
Fui logo informado de que no extremo sul da Bahia praticamente não havia acostamento. Sem titubear, me despedi e segui, afinal ainda havia uma grande cadeia de montanhas pela frente e pretendia chegar em Itamarajú-BA antes do anoitecer.
Pra mim, estava sendo uma experiência diferente do desafio anterior, uma vez que estava passando por essa região durante o dia, e não de madrugada, 
como na edição passada.
Almoçei na localidade de Soraya, cerca de 50km antes de São Mateus. Cruzei a divisa entre Espirito Santo e Bahia por volta das 13:30h, após encarar uma brutal cadeia de montanhas entre São Mateus e Pedro Canario-ES.
Agora estava na Bahia, ávido por completar o percurso do dia (Itamarajú ), mas, chegando em Teixeira de Freitas, encontrei uma completa má conservação e até inexistência do acostamento por longos quilômetros.
Mais uma vez, tive de parar para analisar qual seria a melhor opção para aquele momento crucial.
Dormir em Teixeira de Freitas significaria uma quilometragem muito grande para o dia seguinte. Pensei em pegar um ônibus até Itamarajú, mas, para meu azar – ou sorte – já não havia ônibus naquele dia.
Por obra do destino, jantei e voltei pra BR com desejo (apesar das condições desfavoráveis) de chegar até Itamarajú e cumprir o cronograma. Assim o fiz, mesmo com todo risco.
Cheguei em Itamarajú às 23:25h e tardei em encontrar hotel. Prontamente fui dormir, pensando em acordar cedo e seguir rumo a Salvador.

Quinto dia da viagem 07/08/2015

O cansaço quase me tira de cena. Acordei tarde, tomei café da manhã e segui em frente. Nesse momento, o corpo já clamava por descanso e estava tomado da tensão da noite anterior.
Pensando em descansar o mais cedo possível para recuperar forças, pedalei até Eunápolis, distante 160km.
Apesar de sempre ter a precaução de usar na estrada pneus e câmaras novos, chegando próximo de Eunapolis o pneu traseiro, que já dava sinais de extremo desgaste, não resistiu e estourou. Aproveitei para almoçar, troquei o pneu pelo reserva e segui, não sem antes contar com a valiosa ajuda do borracheiro Dirceu, que, de forma solícita, fez um remendo para que eu pudesse contar com o pneu em caso de emergência.

Sexto dia da viagem 08/08/2015

Tive uma noite revigorante de sono e parti na madrugada para rodar o maximo possível. Saindo de Eunápolis às 2:40h, encarei muita neblina e serras, que cruzei com apreenssão devido à baixa visibilidade.
Segui em um bom ritmo até chegar em Itabuna, por volta das 16:00h, e tomar mais uma decisão um pouco ousada e arriscada. Com pouca carga no farol (não mais que 3 horas), decidi tentar chegar até Gandú. Devido à redução da carga do farol, pernoitei em Aurelino Leal/Ubaitaba, onde cheguei por às 22:00h.

Setimo e ultimo dia da viagem

Depois de dormir apenas 2 horas, levantei às 2:15h, fiz um desjejum rápido e parti decidido a chegar em Salvador antes da meia noite para cumprir a meta dos 7 dias de pedal.
Comecei a jornada com uma densa neblina, que só se dissipou ao chegar em Itamaraty, onde tomei café da manhã. Passei por Gandú e seguia em um ritmo bom. Às 12:15h estava chegando em Santo Antonio de Jesus, mas me sentindo imensamente debilitado.
Almoçei, respirei fundo e veio em minha mente o filme de que a jornada já estava terminando.
Imprimi um ritmo mais forte, disposto a chegar em Salvador o quanto antes.
Cheguei em Salvador seguindo o roteiro predefinido, pelas BR-101 e 324, onde fui calorosamente recepcionado por minha querida esposa, Lourdes, e o amigo Paulo Cesar de Brito (PC).

Pela graça de Deus, pude mais uma vez cumprir a meta dos 7 Dias Verdes, no qual me proponho a percorrer a distância de 1.820km que separa as cidades do Rio de Janeiro e Salvador, após um extenso ano de treinos, mudança na alimentação e adaptação.

Desta vez, pude ver e observar cada subida e descida veloz do estado do Espirito Santo. São 461km desde a divida com o Rio de Janeiro até a divisa com a Bahia, dos quais são apenas 10km de retas com ladeiras de até 9km , como a Serra entre Ibiraçú e Itaqueaçú .
A partir daí criei um verso de que, no Espirito Santo, “quando voce não sobe, está descendo, e quando não desce, está subindo “

Quero agradecer especialmente à minha esposa Lourdes Pinto, pelo companheirismo durante mais de um ano de preparação, minha querida nutricionista Vanessa Bulcão, que cuidou com primazia da minha dieta,  com carinho de irmã, minha preparadora física Magaly Cedraz, que planejou e acompanhou cada detalhe da minha preparação e evolução muscular, à Academia Clássica Qualidade de Vida, pela sempre calorosa acolhida e orientação de treinos para fortalecimento da musculatura, à New World Bike que me facilitou parte do equipamento que usei durante a preparação, a Benilio Pereira, com dicas de treino importantes, à Hidrotabs, na pessoa de seu Químico Responsável Ivo Beccaro, que colaborou com os isotônicos em drágea, que reduziram significativamente o peso de minha bagagem, e à Tia Sônia Alimentos Naturais.
Também não poderia deixar de mencionar as inúmeras pessoas que acompanharam e mandavam votos de sucesso e boas energias, algumas ligadas diretamente em toda organização e colaboração, como Marcella Marconi, Iacina Ribeiro, Daniel Bagdeve, Cândida Lacerda, Manuela Martins, Triação Assessoria Esportiva, Reinaldo Cerqueira.

Obrigado a todos vocês pelo apoio e carinho e até a proxima aventura! 
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Jason Dias Silva

Vegetariano desde dezembro de 1986 e partidário da filosofia de ahimsa, (não violência), com uma trajetória de vida monástica disciplinar durante 12 anos entre os anos de 1988 a 2000.

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